No Egito dos faraós a religião estava presente em todos os momentos da vida. Cada cidade, cada vila e cada lar cultuavam divindades específicas, mas haviam também deuses e deusas cultuados em todo o Egito. De tempos em tempos, o deus relacionado à dinastia do faraó poderia chegar a ser uma divindade em todo o território, pois, afinal de contas, o faraó também era um escolhido dos deuses.
Os nomes dos governantes e das pessoas comuns também estavam ligados aos deuses. A maior parte de nós desconhece o significado dos nossos nomes, mas no Egito era diferente.
Por que chove tanto em alguns meses? Por que há o dia e a noite? Por que a Lua muda de fases? Questões como estas, hoje respondidas com explicações científicas, no Egito antigo tinham respostas religiosas. O deus HAPI, por exemplo, era a divindade que trazia as inundações e cobria a terra com o húmus fertilizante. As oferendas e cultos a HAPI exprimiam a esperança em um bom ano de colheita.
O Sol era representado por diversas divindades. O deus Rá (também conhecido como Amon-Rá) era o principal e mais conhecido. Hórus, com corpo de homem e face de falcão, representava o dia. As esfinges, com corpo de felino e cabeça humana, também eram representações das divindades solares. A Lua era representada pelo deus Ah e a noite pela deusa NUT.
Os deuses também simbolizavam as qualidades humanas. Assim, a deusa Ísis representava a boa esposa e a mãe que cuida muito bem do seu filho (o deus hórus).
A deusa HATHOR, representada por uma mulher com cabeça de vaca, tinha a capacidade de trazer prosperidade e felicidade. Ela era também a deusa do amor, por isso muitos pedidos eram feitos a essa deusa para trazer a pessoa amada.
O MUNDO DOS MORTOS
A crença na vida após a morte era um ponto central da religião egípcia. Na visão de mundo dos egípcios havia uma relação de continuidade entre a vida terrena e o que eles chamavam de mundo inferior. A vida, para eles, era vista como uma caminhada. No momento da morte física, o coração parava e essa caminhada era interrompida. Por isso, era necessário preparar o morto para retomar, após a morte, o caminho iniciado no mundo terreno.
O preparo do morto para renascer no mundo inferior envolvia várias práticas funerárias, que tinham como centro o ritual da mumificação. Os rituais funerários, da preparação da múmia ao enterro na tumba, tinham como função eliminar do corpo tudo que causasse corrupção e podridão e criar um corpo purificado para trilhar o caminho da eternidade.
1) Primeiro, os órgãos internos do corpo eram removidos para serem guardados em uma vasilha.
2)Em seguida, o corpo era coberto com bicarbonato de sódio, para secar e preservar o cadáver.
3)Passados sessenta dias, o corpo era preenchido com óleos e resinas, para perfumá-lo e conservá-lo.
4)Por fim, o corpo era envolvido em faixas de linho, colocado no sarcófago e enterrado.
O LIVRO DOS MORTOS E O JULGAMENTO DE OSÍRIS
O Livro dos mortos é uma coletânea de orações, cânticos e hinos religiosos produzidos durante o Novo Império. Antes de começarem a ser escritos, é possível que os textos fossem recitados e transmitidos por uma longa tradição oral, por isso é difícil determinar quando eles de fato surgiram.
Nos primeiros reinados do Novo Império (c. 1570 a.C.), os textos eram escritos nas paredes das tumbas. Com o tempo, eles começaram a ser copiados em papiros ou em faixas de linho e colocados no caixão, acompanhando o morto. Os textos serviam para guiar o falecido em sua viagem pelo mundo inferior.
Segundo a tradição egípcia, quando uma pessoa morria, a alma se separava do corpo e o reencontrava antes de apresentar-se no Tribunal de Osíris, esposo de Ísis e rei do mundo dos mortos.
No tribunal, ocorria o momento decisivo para a regeneração do morto e sua admissão na eternidade: a pesagem do coração. Na presença do deus Anúbis, o coração do morto era colocado em uma balança que tinha como contrapeso Maat, a deusa da verdade e da justiça, geralmente representada por uma pluma ou por uma mulher sentada.
Se o coração pesasse mais que Maat, ocorria a segunda morte da pessoa, que seria esquecida para sempre. Se o peso do coração fosse menor ou igual ao de Maat, o morto poderia continuar sua caminhada no mundo inferior.
A cena representada nesta passagem do Livro dos mortos mostra a cerimônia de julgamento de Hunefer, escriba da corte do faraó Ramsés I (c. 1307-1306 a.C.). Hunefer está sendo conduzido pelo deus Anúbis ao tribunal, onde o aguardam 42 juízes e Osíris, o juiz supremo da cerimônia.





